Há preconceitos e pressupostos que, por vezes, quase se tornam regras da sociedade.
Um dos últimos alertas que tive desta situação foi há poucos dias. Estava eu na caixa de um hipermercado quando, ao lado na fila, há uma desavença entre uma cliente e a Sra que estava a fazer limpeza. O comentário da cliente foi no sentido da funcionária da limpeza ter cuidado e “manter-se no seu lugar”.
Fiquei incomodado, pois da parte da funcionária tinha havido cordialidade e educação, sendo que do outro lado, tudo me levou a crer que se tratava de impor “o poder” que a condição de cliente esta senhora julgava ter. O problema dos “pequenos poderes” que em determinadas circunstâncias as pessoas, erradamente, julgam ter.
Comentei o caso e a funcionária da caixa onde eu estava, olhou para mim e disse: sabe, nós somos o fim da linha.
Esta afirmação caiu-me que nem uma tempestade de emoções. É grave quando numa sociedade há pessoas que se consideram como que no fim da hierarquia social, se é que isso existisse.
Quem se deu o direito de traçar essa linha hierárquica, baseada em que princípios ou valores, definidos ou delineados por quem e com base em quê?
Obviamente que retorqui e lhe disse que essa linha de que falava, só existiria nos pobres de espírito, que só assim se conseguiam tentar impor por falta de outros argumentos credíveis, e que nunca ninguém se deveria assumir nessa condição. Cada um tem o seu papel na sociedade e todos são igualmente importantes.
Memória curta, pois não foi assim há tanto tempo que tivemos uma pandemia, onde toda a gente reconhecia e valorizava o esforço daqueles que nunca pararam de trabalhar. Neste estão incluídos os funcionários de recolha de lixo e resíduos das Câmaras Municipais e Juntas de Freguesia.
Ironia não é? Nesta altura, estavam no início da linha.
No entanto, não vale a pena enterrar a cabeça na areia, pois estes preconceitos existem e estão bem vivos na nossa sociedade.
Até no nosso mundo motociclistico, quantas vezes se vê um olhar de desdém para alguém com uma mota menos potente ou mais antiga!
Sabem, por vezes reconheço mais o espírito motociclista daquele que usa o que tem e pode para desfrutar do seu prazer de andar de mota, do que aquele (e são muitos) que andam mais para mostrar aos outros a sua ultima aquisição, porque o pode.
Como já escrevi antes, cumprimento e respeito todos os que circulam em duas rodas, exceto aqueles que, pelo seu comportamento, não respeitam ninguém.
O fim da linha, é sim o cumprimento de um sonho, a obtenção do prazer e do desfrutar, individualmente ou em grupo, sem que para isso seja preciso “magoar” alguém.
Boas curvas


